Nunes cobra "empreendedorismo" de blocos enquanto bancava com emendas bloco de amigos e Igreja de Valadão
- imprensa5967
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Prefeito criticou blocos que pedem mais verba pública, mas destinou emendas ao Atrás do Copo durante anos; gestão também pagou R$ 5 milhões ao evento evangélico sem contrapartida

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) cobrou "empreendedorismo" dos blocos de carnaval que pedem aumento de repasses municipais, afirmando que não podem "ficar acomodados querendo tudo do governo". A declaração, porém, contrasta com a prática do próprio Nunes, que durante anos bancou com emendas parlamentares o bloco Atrás do Copo, tradicional da Vila Rica, seu bairro na zona sul, onde iniciou a carreira política.
"A prefeitura de São Paulo incentiva que as pessoas tenham sempre o seu despertar de empreendedorismo. Ficar acomodado, querendo tudo do governo, não é por aí. Cada um também tem que ter a sua parte de buscar o patrocínio", disse Nunes à imprensa.
Segundo Ronaldo Félix, presidente do Atrás do Copo, Nunes destinou emendas ao bloco quando era vereador. "Eu pedia a estrutura. Ia no gabinete dele e ele dava palco, som, iluminação, gradil, tenda. A gente nunca recebeu dinheiro público diretamente, a emenda vinha para o local onde acontecia. Acho que pagavam uma empresa terceirizada, que trazia a estrutura para cá", contou Félix. O abadá do bloco levava a inscrição "RN", iniciais de Ricardo Nunes.
Após Nunes se eleger vice-prefeito em 2020, o mecenas do bloco passou a ser Marcelo Messias, hoje líder do MDB na Câmara e herdeiro da influência de Nunes na região. Até 2024, foi Messias quem destinou emendas para o Atrás do Copo. Em 2025, o evento contou com faixa agradecendo aos apoios de Messias e de Nunes. Neste ano, o bloco do bairro de Nunes receberá aporte de R$ 62 mil da SPTuris.
O repasse é desproporcional: mais do que o dobro do valor oferecido pela prefeitura a 100 blocos via edital.
Igreja de Valadão recebeu R$ 5 milhões sem justificativa
A contradição de Nunes se aprofunda com outro caso: a prefeitura ampliou de última hora o patrocínio à virada evangélica Vira Brasil 2026, de R$ 4 milhões para R$ 5 milhões. O repasse de R$ 1 milhão extra à Convenção Lagoinha, igreja do pastor André Valadão, aconteceu sem qualquer justificativa formal e sem que a denominação evangélica tenha oferecido qualquer contrapartida ao município.
O aditivo foi assinado pelo secretário municipal de Turismo, Rui Alves (Republicanos), já no fim da noite do dia 30 de dezembro, menos de 24 horas antes do evento de réveillon. Com o aditivo, só o Vira Brasil recebeu o dobro do valor reservado pela prefeitura ao fomento do carnaval de rua: R$ 2,5 milhões para 100 blocos.
Blocos que atraem grande público nas áreas centrais têm reclamado que o valor oferecido (R$ 25 mil para cada) é insuficiente para desfilar. A prefeitura cortou R$ 12 milhões do orçamento do Carnaval de Rua em 2026, reduzindo de R$ 42,5 milhões em 2025 para R$ 30,2 milhões neste ano. Segundo dados da própria Prefeitura, o Carnaval de rua paulistano é responsável pela geração de 50 mil empregos diretos e indiretos e injetou R$ 3,4 bilhões na economia da cidade em 2025.



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