Após traição, Tarcísio enfrenta revolta de policiais e críticas da bancada da bala na Alesp
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Promessas não cumpridas geram protestos; deputados da base aliada cobram reajuste de dois dígitos e benefícios em ano eleitoral

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), enfrenta uma crise com as polícias em pleno ano eleitoral. Eleito com forte apoio da bancada da bala, Tarcísio gerou expectativa de avanços em salários e benefícios. Apesar do discurso de valorização da segurança pública, as promessas não se traduziram em medidas concretas – o que, em muitos lugares, pode ser considerado como traição.
Pressionados por suas bases, deputados estaduais da base aliada têm acusado o governo de descumprir compromissos com a categoria. Associações e sindicatos de policiais afirmam com todas as letras que Tarcísio traiu as corporações e pretendem protestar no dia 24 de fevereiro, na Avenida Paulista, em frente ao Masp. Mais de 30 entidades ligadas a policiais participarão do ato para exigir melhorias nas condições de trabalho e cumprimento de promessas de campanha.
Deputados da bancada da bala têm feito críticas públicas ao governo na Assembleia Legislativa. O deputado Capitão Telhada (PP) cobrou reajuste real de dois dígitos, conforme compromisso de campanha, além do pagamento de bônus de 2025 e agilidade na entrega de cartas de crédito para programa habitacional voltado aos policiais.
O deputado Major Mecca (PL) criticou o governo pela falta de entrega de cartas de crédito do programa habitacional. Segundo ele, um ano e meio após a aprovação da lei, nenhum policial militar, civil ou penal recebeu o benefício. Mecca também reclamou dos salários e da necessidade de participação no bico oficial para complementar renda.
Um dos assuntos que gera mais insatisfação é o veto do governador a uma parte de projeto que permitiria que policiais usassem tempo trabalhado fora da corporação para se aposentar. O projeto aprovado pela Alesp foi sancionado, mas com veto ao trecho que permitia que até 10 anos de trabalho fora pudesse ser contabilizado no cálculo da aposentadoria. O deputado petista Reis, que veio da Polícia Civil, criticou o veto nas redes sociais.
Outra cobrança se relaciona a uma nova lei orgânica da Polícia Civil. Em novembro, 23 entidades ligadas às polícias Civil, Militar e Penal protestaram no centro de São Paulo contra Tarcísio e o então secretário Guilherme Derrite, cobrando melhores condições de trabalho. Os grupos acusavam a gestão de descumprir promessas de campanha. Tarcísio prometeu apresentar o texto da nova Lei Orgânica da Polícia Civil e um novo plano de carreira para a PM, mas até agora a promessa não avançou.
Os sindicatos que representam a Polícia Civil reivindicam critérios objetivos para promoções, disposições mais claras sobre reajustes salariais e regulamentação definitiva da jornada de trabalho. A lei federal exige que os estados criem suas próprias leis orgânicas estaduais, mas São Paulo ainda não avançou nessa adaptação.



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