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Parlamentares do PSOL acionam MP contra modelo de desmonte do Carnaval privatizado de Nunes

  • há 50 minutos
  • 2 min de leitura

Erika Hilton e Amanda Paschoal pedem investigação sobre contrato lesivo que permite empresa de cerveja revender cotas; tumultos no pré-Carnaval expõem riscos do modelo centrado no lucro


Foto: Divulgação/PMSP
Foto: Divulgação/PMSP

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e a vereadora Amanda Paschoal (PSOL-SP) acionaram o Ministério Público de São Paulo para investigar o prefeito Ricardo Nunes (MDB) por conta do modelo de patrocínio ao Carnaval paulistano em 2026. As parlamentares apontam que o contrato atual, que permite à Ambev revender cotas de patrocínio sem repassar valores à prefeitura, lesa os cofres públicos e privilegia interesses privados sobre a segurança da população.


Anualmente a prefeitura lança edital em busca de empresa interessada em patrocinar o Carnaval de Rua da cidade. Este ano, o pacote incluía o direito de promover 10 marcas. A Ambev foi a única concorrente, oferecendo o valor mínimo de R$ 29,2 milhões. Depois, repassou cotas a outras cinco empresas em contratos privados, sem participação da prefeitura.


As parlamentares destacam que, embora a prática não seja vedada pelo edital, ela é lesiva ao interesse público. A empresa comercializa cotas de forma autônoma, obtendo lucro sem investir em estrutura ou segurança. O ativo da cidade está sendo explorado por uma empresa para benefício próprio, sem contrapartida.


Os problemas do modelo se evidenciaram nos tumultos do pré-carnaval. No sábado que antecedeu o Carnaval, no Ibirapuera, um bloco puxado por Ivete Sangalo teve superlotação e pessoas passando mal. A PM já havia sido contrária à realização do evento no local, que dividia espaço com dois blocos tradicionais.


No dia seguinte, a prefeitura autorizou a realização do Bloco da Skol, puxado por Calvin Harris, no mesmo local e horário que o tradicional Bloco do Baixo Augusta, o maior da cidade. A superlotação foi tanta que foliões derrubaram a grade fixa de um prédio para fugir da aglomeração, evitando uma tragédia. Pessoas foram empurradas, caíram sobre grades e foram pisoteadas.


A vereadora Silvia Ferraro, da Bancada Feminista do PSOL, afirmou que Nunes está privilegiando um modelo de Carnaval centrado no lucro e na privatização. Segundo ela, há um lobby na administração municipal que permite que empresas privadas interfiram na dinâmica do Carnaval, buscando encaixar as pessoas em circuitos pré-determinados e impedindo um Carnaval espontâneo, de cultura popular e tradicional.


Enquanto pessoas eram empurradas, caíam sobre grades de bloqueio e eram pisoteadas, Nunes classificou o pré-Carnaval como "um sucesso". Para Ferraro, trata-se de um prefeito negacionista e de um modelo de gestão fadado à insegurança, porque a lógica se tornou lucro e não segurança da população. A vereadora também acionou o Ministério Público após Nunes ameaçar reprimir com a polícia os blocos não inscritos, normalmente blocos menores, de bairro, tradicionais e populares.

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