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Entregadores de aplicativo protestam contra exploração em frente ao iFood Move

  • imprensa5967
  • 7 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

Categoria denuncia “escravidão moderna” enquanto a plataforma celebra lucro em megaevento com ingressos a R$ 1,3 mil


Foto: Gabriela Moncau
Foto: Gabriela Moncau

Na manhã da última terça-feira (5), entregadores de aplicativos promoveram um protesto em frente ao São Paulo Expo, onde ocorria o iFood Move — evento voltado a empresas do setor gastronômico e que exauriu seus ingressos, chegando a R$ 1,3 mil por dia no último lote. Enquanto isso, trabalhadores que movimentam o delivery na base enfrentam exploração e remuneração insuficiente.


A mobilização começou no estacionamento do Plaza Sul Shopping, com seguranças privados questionando os participantes. Após motociata até o evento, os entregadores ergueram faixas com frases como “iFood Move escravidão” e “Conexão Motoboy todas as quebradas”, e organizaram um churrasco coletivo próximo à entrada.


João Viktor, um dos manifestantes, expressou o sentimento do grupo:

“O que realmente estão comemorando nesse evento é a escravidão moderna daquilo que eles chamam de ‘empreendedorismo’. Enquanto brindam com ministro do STF, a gente está aqui sofrendo sob o sol, chuva, sem banheiro e correndo risco de vida.”


A mobilização também ganhou apoio de trabalhadores de outras cidades como Campinas, Sorocaba, Rio de Janeiro e regiões de Minas e Santa Catarina — parte de uma rede crescente de resistência. Entre os pedidos, está a aprovação do PL 2479/2025, o “PL do Breque”, que prevê:


  • Taxa mínima de R$ 10 por entrega até 3 km (bicicleta) e 4 km (moto);

  • R$ 2,50 por km adicional;

  • Fim do agrupamento de pedidos sem aumento proporcional de pagamento;

  • Pontos de apoio com água, banheiros e tomadas em regiões de alta demanda.


Durante o evento, o CEO do iFood reconheceu o direito à manifestação e afirmou que entregadores estavam presentes. Também anunciou investimentos bilionários no ecossistema da empresa e expansão de infraestrutura — ainda que entregadores contestem o impacto desses recursos na melhoria das suas condições de trabalho.


O PSOL se solidariza e reconhece que sem entregadores, não há delivery nem espetáculo. Reafirmamos nosso apoio à categoria e ao PL do Breque, que representa uma luta antiga por dignidade, justiça e regulamentação do trabalho em aplicativos. A exploração disfarçada de autonomia precisa ser enfrentada de frente. É preciso ouvir quem faz o negócio girar e exige respeito, direitos básicos e condições justas para trabalhar.

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