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Boulos apresenta dados que evidenciam aumento de produtividade com fim da escala 6x1

  • imprensa5967
  • há 4 dias
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Estudo da FGV mostra que 72% das empresas que reduziram jornada aumentaram receita; Microsoft no Japão teve 40% mais produtividade com escala 4x3


Foto: Diego Campos/Secom-PR
Foto: Diego Campos/Secom-PR

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu na última quarta-feira (21) que o fim da escala 6x1 no Brasil deve levar ao aumento da produtividade da economia. Em entrevista ao programa “Bom dia, Ministro”, do Canal Gov, ele apresentou dados de estudos nacionais e internacionais que demonstram os ganhos econômicos da redução de jornada de trabalho.


Segundo Boulos, um estudo da Fundação Getulio Vargas realizado em 2024 envolvendo 19 empresas que reduziram a jornada de trabalho apontou aumento de receita em 72% delas e de cumprimento de prazos em 44%. "Estão reduzindo mesmo sem a legislação", destacou o ministro.


Exemplos internacionais reforçam argumentos


Boulos citou casos internacionais que comprovam os benefícios da redução de jornada. A empresa Microsoft, no Japão, adotou a escala 4x3 e registrou aumento de 40% na produtividade individual do trabalhador. Na Islândia, a redução para 35 horas semanais em 2023, com jornada 4x3, resultou em crescimento de 5% da economia e aumento de 1,5% na produtividade do trabalho.


"Nos Estados Unidos, houve uma redução média de 35 minutos de trabalho por dia nos últimos três anos. Não foi uma lei, isso aconteceu pela própria dinâmica do mercado e aumentou em média 2% da produtividade", afirmou o ministro, demonstrando que a tendência é global.


Trabalhador descansado trabalha melhor


O ministro explicou a lógica por trás do aumento de produtividade: "Com seis dias de trabalho, um de descanso – e às vezes esse um, principalmente para as mulheres, é para fazer serviço de cuidado em casa – quando essa pessoa chega ao trabalho, ela já está cansada. Quando esse trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor".


Boulos ainda rebateu o argumento de baixa produtividade usado por quem é contra a mudança. "Se a produtividade é baixa e você não quer deixar um tempo para o trabalhador fazer um curso de qualificação, como é que vai aumentar a produtividade?", questionou.


O ministro também responsabilizou o setor privado pela produtividade menor no Brasil: "Uma parte importante de uma produtividade menor que a média no Brasil não é responsabilidade do trabalhador, é do setor privado que não investe em inovação e tecnologia. Quase todo o investimento em inovação, tecnologia e pesquisa no Brasil é do setor público. O setor privado brasileiro é um dos que menos investe, proporcionalmente aos países no mesmo patamar".


Proposta do governo e tramitação no Congresso


A proposta defendida pelo governo prevê redução das atuais 44 horas semanais de trabalho para 40 horas semanais, sem redução de salário, em regime de no máximo cinco dias de trabalho por dois de folga. A medida deve incluir período de transição e compensações para micro e pequenas empresas.


"Essa é a proposta que está sendo desenhada para todos os setores da economia no Brasil, por uma questão de dignidade dos trabalhadores", afirmou Boulos, destacando que há avanço na discussão com o Congresso para votação ainda neste semestre.


Em fevereiro do ano passado, foi protocolada na Câmara dos Deputados a PEC nº 8/2025 que acaba com a escala 6x1. A proposta estabelece jornada de trabalho de, no máximo, 36 horas semanais e 4 dias de trabalho por semana, mas há outras propostas no Congresso que tratam da redução.


Resistência empresarial e crítica aos juros


O projeto sofre resistência de setores empresariais que alegam aumento dos custos com possível contratação de mais trabalhadores. Para Boulos, há superdimensionamento do custo da redução de escala, e ainda reforçou o papel dos altos jutos para pequenos empresários, com que será discutido um modelo de adaptação.


"Muitas vezes, esses pequenos negócios estão endividados por essa taxa de juro escorchante, de agiotagem, que a gente tem no Brasil. Já passou da hora de reduzir essa taxa de juros, porque 15% de juros nenhum trabalhador aguenta e nenhum empresário aguenta", afirmou.


"Como é que você vai aumentar o investimento? Como é que você vai arrumar capital de giro com esse custo do dinheiro? Não tem o menor cabimento. Parte do problema que vai aliviar os pequenos, os médios e até os grandes empresários do Brasil é a redução da taxa de juros escorchante e injustificável", argumentou Boulos, conectando a discussão sobre jornada com a política econômica mais ampla.


A próxima reunião do Copom, que define a taxa Selic, ocorre em 27 e 28 de janeiro. O debate sobre o fim da escala 6x1 avança no Congresso com dados concretos mostrando que a medida beneficia tanto trabalhadores quanto empresas.

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