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Projeto de túnel pela gestão Nunes ameaça novamente mais de 200 famílias na Vila Mariana

  • imprensa5967
  • 12 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Retomada do “Túnel Sena Madureira” põe em risco comunidade centenária; moradores denunciam arbitrariedades e exigem alternativas dignas


Foto: José Cícero/Agência Pública
Foto: José Cícero/Agência Pública

A Prefeitura de São Paulo, sob Ricardo Nunes (MDB), retomou o polêmico projeto de construção do Túnel Sena Madureira, uma obra antiga que pretende eliminar um semáforo entre as ruas Sena Madureira e Ricardo Jafet, na Vila Mariana — mas cujo custo social recai sobre cerca de 200 famílias das comunidades Sousa Ramos e Luís Alves, que serão desalojadas se o projeto for adiante.


A comunidade Sousa Ramos existe desde 1949, com cerca de 85 casas urbanizadas ao longo das décadas pelos próprios moradores, que construíram ruas, instalaram garagens, cercas, portões, se organizaram em associação, acessaram serviços públicos, creches próximas etc. É uma zona de moradia construída com vida, história e luta. A Prefeitura rescindiu a licitação em fevereiro deste ano após recomendação do Ministério Público de São Paulo (MPSP), que apontou irregularidades no processo anterior, iniciado em setembro do ano passado, quando tratores já começavam a remover árvores no terreno vizinho. 


Agora, o governo propõe nova licitação do túnel, segundo audiências públicas realizadas nos dias 4 e 8 de setembro, depois de breve período de consulta pública entre 25 de agosto e 4 de setembro — prazo considerado exíguo por moradores que reclamam de falta de transparência. A justificativa oficial é que o túnel vai melhorar o fluxo de veículos entre bairros como Ipiranga, Morumbi, Itaim Bibi e Saúde. O secretário de Habitação, Sidney Cruz, declarou que será oferecida indenização ou atendimento habitacional definitivo para quem quiser sair, citando como opção o empreendimento no Sacomã próximo ao metrô, mas sem assegurar localização, tamanho ou condições equivalentes para as famílias afetadas.


A comunidade critica veementemente esse acordo “top-down”, sem diálogo real. Moradores como Fagner Teixeira vêm construindo por anos suas residências e lares, uma casa conquistada com esforço, planta, móveis etc., integrantes da rede de sociabilidade local com seus trajetos de trabalho, educação e saúde. Deslocar essas famílias para construir uma alternativa distante, pequena ou incompatível, é impôr uma perda de vida, de vínculo territorial e de acesso aos bens comuns da cidade. “Túnel não”, gritaram em audiência, junto a “Sousa Ramos fica”.


A comunidade ocupa há décadas a zona reconhecida como ZEIS (Zona Especial de Interesse Social) pela Prefeitura, o que formalmente lhe confere direito à regularização fundiária e urbanística. O projeto, no entanto, interrompeu esse processo, gerando insegurança para todos. Moradores denunciam que a Prefeitura ignorou atos anteriores de urbanização, investimentos locais, e que o direito à moradia está sendo colocado como “colateral” de políticas de mobilidade que priorizam carros e trânsito.


O novo processo está em fase de licitação prevista para inicialização já nas próximas semanas. A Prefeitura aponta a urgência do tráfego e priorização do túnel como “obra emergencial”. Moradores, advogados e ativistas cobram garantias claras de reassentamento com padrões mínimos — localização próxima, moradia digna, compensações justas — e participação direta das famílias nas decisões.

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