São Paulo bate recorde histórico de feminicídios em 2025 com 266 casos no estado e 60 na capital
- imprensa5967
- há 4 dias
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Aumento de 8,1% em relação a 2024 expõe ausência de políticas públicas efetivas enquanto governos estadual e municipal cortam investimentos na área social

O estado de São Paulo registrou 266 feminicídios em 2025, aumento de 8,1% em relação aos 246 casos de 2024 e o maior patamar desde o início da série histórica em 2018. Na capital, a variação foi ainda maior: os casos subiram de 49 em 2024 para 60 em 2025, alta de 22,4%. Os dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmam que o ano fecha como o mais violento para mulheres desde que o feminicídio passou a ser tipificado como crime específico.
Dezembro foi o mês com mais casos contabilizados no ano: 33 feminicídios, marcado por episódios brutais como o de Tainara Santos, de 31 anos, que morreu na véspera do Natal após ser atropelada e arrastada por um quilômetro na Marginal Tietê pelo ex-companheiro Douglas Silva. Apenas entre janeiro e outubro, foram 53 casos na capital, já superando todos os anos anteriores da série histórica iniciada em 2015.
Especialistas apontam que o aumento dos feminicídios está diretamente ligado à falta de políticas públicas robustas de prevenção, proteção e acolhimento. Delegacias da mulher funcionam de forma limitada, abrigos estão lotados ou sucateados, e campanhas educativas perderam força nos últimos anos.
A codeputada estadual Paula Nunes da Bancada Feminista (PSOL-SP), foi direta: "Os números refletem o crescimento do ódio de gênero e a ausência de políticas públicas. O estado não tem política séria de combate à violência contra mulheres".
Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), ressalta que a questão é transversal e não se limita à segurança pública. "Políticas de educação, saúde, assistência social, renda, trabalho, habitação, todas elas precisam estar integradas nesse processo de prevenir a violência contra a mulher e estancar essa violência para que ela não chegue ao feminicídio", afirma.
Gestões cortam investimentos enquanto mortes aumentam
Enquanto os números de feminicídios explodem, as gestões estadual de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e municipal de Ricardo Nunes (MDB) têm priorizado cortes nesta área. Em 2025, o governador executou apenas 28% do orçamento para a segurança das mulheres paulistas. Este mesmo orçamento já havia sido reduzido pela metade no início daquele ano.
São Paulo aparece em primeiro lugar nas ocorrências de feminicídio em todo o Brasil, com 253 vítimas, quase o dobro do segundo colocado, Minas Gerais com 139 casos, e o Rio de Janeiro com 104.
O cenário nacional acompanha a escalada paulista. O Brasil registrou 1.470 feminicídios até dezembro de 2025, o equivalente a quatro vítimas por dia, segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desde 2015, quando houve a tipificação do feminicídio, foram registrados 13.448 crimes do tipo no país.
O presidente Lula citou os casos recentes em discurso público: "Cada um de nós, homens, precisamos ser o professor do outro. Se você não está bem com sua companheira, por favor, seja grande, não bata nela, separe-se dela. Deixa ela cuidar da vida dela, não aprisione, não seja malvado, não seja ignorante".



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