São Paulo tem o menor percentual de salas de aula climatizadas do Brasil
- imprensa5967
- 26 de set. de 2025
- 2 min de leitura
Só 13,7% das salas (públicas e privadas) têm ar-condicionado; escolas estaduais estagnadas com apenas 2,7% – desigualdade estrutural na educação em tempos de clima extremo

Dados recém divulgados pelo Anuário Brasileiro da Educação Básica apontam que o estado de São Paulo lidera um ranking negativo: possui o menor percentual de salas de aula climatizadas do país. Só 13,7% de todas as salas de aula, entre redes públicas e privadas, contam com algum tipo de climatização. Entre as escolas públicas, o percentual cai para 12,4%, e no caso da educação estadual paulista, despenca para apenas 2,7%.
Essa realidade contrasta com os grandes anúncios feitos pelo governo Tarcísio. Após investimento de R$ 350 milhões, o avanço ainda está muito aquém do necessário para atenuar os impactos do calor nos ambientes escolares, sobretudo nos períodos de ondas de calor.
As consequências desse baixo índice são visíveis para estudantes, professores e servidores: salas abafadas, turnos do fim da tarde quase impossíveis, exaustão, dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar. Em algumas Etecs e Fatecs, por exemplo, houve aulas remotas autorizadas por causa do calor excessivo, já que ventiladores são insuficientes. Em muitas escolas, janelas pequenas, materiais construtivos que retêm calor e falta de isolamento agravam o desconforto térmico.
Para quem vive na periferia ou estuda em regiões menos favorecidas, o problema é ainda mais grave. Nessas áreas, o acesso a escolas com qualquer estrutura de climatização é raríssimo, o que amplia desigualdades educacionais: enquanto algumas unidades da região central e regiões mais abastadas têm ambientes de relativa conforto, outras ficam expostas, literalmente, ao calor excessivo e suas consequências — físicas e cognitivas.
Além disso, a climatização demanda mais do que simplesmente instalar aparelhos de ar-condicionado: é preciso adaptar a estrutura elétrica das escolas, garantir fornecimento constante de energia, manutenção dos equipamentos, ventilação adequada, isolamentos que reduzam ganho de calor e projetos arquitetônicos que não transformem as salas numa espécie de estufa. Muitas escolas estaduais já contam com o ar-condicionado, mas ainda enfrentam problemas com falta de energia, equipamentos desligados ou mal instalados.
O governo estadual, embora defenda o plano de climatização que propôs, ainda está longe da meta de 60% até 2027, que requer ritmo acelerado de execução. O número atual de escolas climatizadas, de 938 unidades, é proporcionalmente pequeno diante da dimensão da rede estadual, que soma dezenas de milhares de salas, públicas e privadas.
O governo de São Paulo deve garantir que a climatização seja um direito mínimo, não um privilégio que dependa de sorte geográfica ou econômica. O atraso histórico neste quesito reflete prioridades que ainda privilegiaram obras visíveis ou propagandas políticas em detrimento de políticas de saúde ambiental, de conforto e aprendizagem reais para a base educacional mais vulnerável.
Este é um detalhe que pesa no cotidiano escolar: calor que exaure, diminui aprendizagem, adoecimento infantil, abandono. A falta de climatização é mais uma faceta da brutal desigualdade em São Paulo.



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