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Ediane Maria e Natalia Boulos denunciam policial da PRF que produz conteúdo misógino ao MPF

  • há 4 horas
  • 2 min de leitura

Representação contra criador do canal "Café com teu pai" aponta irregularidades no cargo e disseminação de discursos contra mulheres


Foto: Reprodução/Instagram
Foto: Reprodução/Instagram

O policial rodoviário federal Breno Vieira Faria, de 31 anos, se tornou alvo de denúncia protocolada nesta quinta-feira (8) no Ministério Público Federal. A representação, assinada pela deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) e pela pré-candidata a deputada federal Natália Boulos (PSOL-SP), pede investigação por irregularidades no exercício do cargo e pela produção de conteúdos misóginos e 'red pill' nas redes sociais.


Faria é criador do canal "Café com teu pai", que reúne mais de 2 milhões de seguidores em suas redes sociais. A representação sustenta que parte relevante dos conteúdos publicados apresenta "forte carga de estereotipação e desqualificação de mulheres". Entre os exemplos citados estão vídeos em que o influenciador afirma que mulheres com múltiplos parceiros seriam "vagabundas", enquanto homens na mesma situação seriam valorizados. Um dos conteúdos de maior alcance, com milhões de visualizações no TikTok, compara mulheres a fechaduras que "não prestam para nada" se "abrem por qualquer chave", enquanto homens seriam "chaves mestras".


Outros vídeos seguem a mesma linha. Faria afirma que mulheres bem-sucedidas acima dos 30 anos e solteiras seriam "problemáticas", que homens perderiam o interesse quando "as mulheres entregam tudo", e sugere que mulheres devem adotar comportamentos "doces" e evitar confrontos diretos em relações. Em outro trecho, ele defende que mulheres insatisfeitas devem recorrer a reforços positivos, comparando a abordagem à forma como se treinam animais.


Além dos conteúdos misóginos, a denúncia aponta que Faria comercializa cursos e produtos digitais voltados especialmente ao público feminino, com a promessa de ensinar mulheres a serem "assumidas" em relacionamentos, apesar de não possuir formação técnica ou habilitação profissional compatível. O documento indica "indícios robustos" de que o policial exerce atividade empresarial ativa, participando da gestão de empresas de marketing digital.


A Lei nº 8.112/1990 estabelece que servidores públicos federais não podem exercer gerência ou administração de empresas privadas, salvo exceções específicas. A representação também menciona possível violação ao regime de dedicação exclusiva da PRF, citando declarações em que o próprio agente teria afirmado trabalhar apenas alguns dias por semana na corporação.


O documento sustenta ainda que a atuação do policial nas redes pode violar normas internas da PRF, que vedam a monetização de conteúdo e a divulgação de material discriminatório por seus integrantes. Ao mencionar sua vinculação com a PRF em conteúdos publicados, Faria pode estar associando a imagem institucional da corporação a discursos problemáticos.


Ediane Maria e Natália Boulos solicitam ao MPF a instauração de procedimento investigativo para apuração dos fatos, a verificação de eventuais infrações administrativas, civis e penais, a requisição de informações à PRF e a adoção de medidas cabíveis. O documento menciona a possibilidade de responsabilização disciplinar e eventual exoneração do cargo público.

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