Boulos defende escala 5x2 com redução real de jornada: "Não adianta tirar o sábado e o domingo e passar a 10 horas por dia"
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Em assembleia com garis do DF, ministro reafirma compromisso do governo Lula com fim da escala 6x1 e convoca trabalhadores a pressionar Congresso pela aprovação da proposta

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defendeu em encontro com os garis do Distrito Federal, na última semana, o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho. Em assembleia que integra agenda nacional de diálogo com diversas categorias, Boulos deixou clara a posição do governo federal: a luta não é apenas pelo fim do trabalho aos sábados, mas pela redução efetiva da jornada sem perda salarial.
"Chegou a hora de darmos fim nessa escala perversa aos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil", disse o ministro, que vem cumprindo uma agenda de encontros com diversas categorias de trabalhadores em todo o país para divulgar ações do governo Lula, e, em especial, a luta pela aprovação, no Congresso Nacional, do projeto que propõe a escala 5x2, com jornada de 40 horas semanais.
A fala de Boulos busca demarcar um ponto crucial no debate que tem mobilizado o país: não basta acabar com o trabalho aos sábados se isso significar jornadas diárias ainda mais extenuantes. “Acabar com a 6x1, ou seja, no máximo 5 dias por semana. Essa é a luta que nós estamos entrando. E outra, reduzir a jornada sem ter um real de redução do salário. Não adianta nada falar, ó, tira o sábado e o domingo, e botar vocês 10 horas, 12 horas por dia durante a semana”.
A ressalva do ministro responde a setores empresariais que defendem a manutenção das 44 horas semanais mesmo com o fim da escala 6x1, o que na prática redistribuiria a carga horária pelos cinco dias úteis, chegando a jornadas de 8h48 diárias. A proposta do governo, ao contrário, prevê redução para 40 horas semanais, ou seja, jornadas de 8 horas diárias em cinco dias de trabalho.
Boulos salientou que, no que depender dele e do governo federal, "vocês podem escrever que esse é o último ano com trabalho aos sábados para a categoria de vocês. E não vai valer só para vocês, vai valer para todos os trabalhadores do Brasil", afirmou o ministro, que convocou a categoria a se mobilizar junto a outros trabalhadores pela aprovação da proposta.
A estratégia do governo passa pela pressão popular sobre o Congresso Nacional, onde a proposta de emenda à Constituição (PEC) que institui a escala 5x2 tramita. "Nossa briga é, se tiver duro de aprová-la, a gente juntar todas as categorias lá para a frente do Congresso no dia da aprovação, para mostrar a força dos trabalhadores desse país", conclamou.
O ministro reiterou que essa é uma luta do presidente Lula, que "está firme nessa briga". "Conte com o nosso presidente Lula, que está firme, está com a gente comprando a briga, lado a lado, e nos ajudem nessa pressão, porque a coisa vai ser decidida nos próximos meses", afirmou.
A pauta do fim da escala 6x1 ganhou força nas ruas e nas redes sociais nos últimos meses, mobilizando trabalhadores de diferentes setores que relatam o desgaste físico e mental da jornada extenuante, a impossibilidade de conciliar trabalho com estudo ou vida pessoal, e a sobrecarga especialmente para mulheres, que acumulam trabalho remunerado com trabalho de cuidado não reconhecido.
Com a tramitação em fase decisiva no Congresso, o governo aposta na articulação direta com as bases trabalhadoras para pressionar pela aprovação da proposta. A definição, segundo Boulos, deve acontecer nos próximos meses — e o desfecho dependerá tanto da correlação de forças no Legislativo quanto da capacidade de mobilização dos movimentos sociais e sindicatos.



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