top of page

Boulos evita greve dos caminhoneiros com MP sobre piso do frete e frustra tentativa bolsonarista de uso eleitoral de paralisação

  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Secretaria-Geral detectou articulação de influenciadores aliados de Bolsonaro, abriu diálogo com categoria e editou medida que endurece fiscalização do piso; PF fez 400 operações contra especuladores


Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

A Secretaria-Geral da Presidência, ministério chefiado por Guilherme Boulos (PSOL-SP), detectou o movimento de greve articulado por aliados de Bolsonaro e impediu o uso eleitoral da paralisação. Lula assinou uma Medida Provisória endurecendo a fiscalização do piso do frete, demanda dos caminhoneiros autônomos desde 2018 que ainda não havia sido atendida.


Levantamento divulgado pela Revista Fórum revelou que aliados de Flávio Bolsonaro (PL), como o influenciador Thiago Nigro, o deputado Gustavo Gayer (PL-GO) e a revista Oeste – comandada por Augusto Nunes –, comandaram a máquina do pânico sobre a possível paralisação.


O movimento foi detectado pela Secretaria-Geral da Presidência, que se aproximou principalmente dos caminhoneiros autônomos, que ficam mais suscetíveis aos achaques eleitorais por arcarem com os aumentos dos combustíveis. Com Lula e Fernando Haddad já tendo zerado os impostos federais – PIS e Cofins – sobre o diesel, coube à equipe de Boulos ouvir as demandas dos profissionais e apresentar soluções concretas.


Enquanto a Polícia Federal intensificou a ação contra especuladores, especialmente empresários e distribuidoras, com mais de 400 operações contra aumentos abusivos dos combustíveis, a equipe de Boulos levou a principal demanda dos caminhoneiros ao gabinete de Lula no Palácio do Planalto.


"Ontem o Lula assinou uma Medida Provisória que endurece a fiscalização do piso do frete. Porque tem muito empresário malandro neste país e eles não estavam pagando o piso do frete dos caminhoneiros. Em 2018, na greve histórica, foi estabelecido que cada caminhoneiro autônomo tem que receber o piso. E eles estavam burlando isso. Então, o governo agora vai pra cima pra garantir que se pague o mínimo, com fiscalização eletrônica nas empresas, que podem ter até cassação de registro de operação", afirmou Boulos em entrevista à Rádio Nacional.


A MP nº 1.343/2026 torna obrigatório o registro de todas as operações de transporte pelo Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), permitindo à ANTT cruzar os valores pagos com o piso mínimo do frete rodoviário. O texto prevê multas de R$ 1 milhão a R$ 10 milhões por operação para empresas que descumprirem a tabela. Em caso de reincidência, a empresa poderá ter o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas (RNTRC) suspenso cautelarmente ou a autorização cancelada por até dois anos.

Lideranças de caminhoneiros decidiram suspender a proposta de greve que estava prevista para esta quinta-feira (19) e serão recebidas na próxima semana, em Brasília, pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. A decisão foi tomada em assembleia realizada em Santos (SP), após negociações com o governo federal.


"É uma Medida Provisória que a gente ficou muito feliz", disse Luciano Santos, líder dos caminhoneiros ex-aliado de Bolsonaro. "Desde 2018 que não tinha nada parecido, o governo se preocupou. Para a gente, não existe partido ou político de estimação. Seja A ou seja B, seja Lula, Bolsonaro, Ciro, quem estiver lá a gente vai respeitar".


Para Boulos, o aumento no preço do diesel acontece por conta da especulação. "Tem especulação de malandro, distribuidora e posto de gasolina malandro, porque não aumentou [o valor do litro do diesel] até aqui. O aumento que a Petrobras teve de reajustar, compensou ao zerar o Pis e Cofins. Ficou no zero a zero". Boulos complementa informando que a subida no preço é feita pelas distribuidoras. "Aqui vamos dar nome aos bois: a dona Ipiranga, dona Raíssa, dona Fibra são as três grandes distribuidoras que foram especular em cima da desgraça do povo".


Toda a negociação, que resultou na reunião marcada para a próxima quarta-feira (25), foi conduzida pela equipe de Boulos, que recebeu o sinal positivo dos caminhoneiros com o cancelamento da greve.


bottom of page