Cemitério Vila Formosa, maior da América Latina, acumula denúncias de descaso e abandono sob gestão privada
- há 4 dias
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Mato alto esconde túmulos, infraestrutura deteriorada e falta de segurança marcam relatos de famílias; concessionária Consolare alega cronograma regular de manutenção, mas visitantes relatam abandono há anos

O Cemitério Vila Formosa, maior da América Latina com 763 mil metros quadrados e mais de 1,5 milhão de sepultamentos desde 1949, acumula denúncias de descaso e abandono após a privatização do serviço funerário em São Paulo, realizada sob a gestão do prefeito Ricardo Nunes. Relatos de visitantes expõem uma realidade distante do que se espera de um local de descanso final: mato tão alto que impede o acesso aos túmulos, infraestrutura deteriorada, banheiros imundos e falta de segurança.
Uma biomédica de 26 anos, que visita o túmulo da avó ao menos cinco vezes por ano desde o enterro há 3 anos e 9 meses, relatou a situação. Em vídeos gravados, o mato ao redor do túmulo aparece altíssimo. "Teve uma vez que a gente foi, que o mato era até o rosto. Tivemos que ir com um galho para conseguir chegar ao túmulo", revelou. A situação ocorreu em 2023. Segundo ela, houve melhora temporária depois disso, mas "nas demais vezes, estava nesse estado", afirmou
O problema não é isolado. Avaliações e relatos de visitantes em diversos sites acumulam queixas similares: "Muito mato, as vezes nem da p vc achar o túmulo do seu ente querido, de tanto mato que tem", diz um comentário. "Minha mãe é enterrada lá a quadra 41. É totalmente abandonada, não tem caminho até os túmulos e se você não paga uma pessoa pra limpar o mato vira um matagal que você nem consegue ver os túmulos", relata outro visitante.
A diferença entre as áreas do cemitério também é relatada com frequência. "Para quem tem convênio funerário fica no lado oposto do cemitério em relação à parte da prefeitura de sp. No lado dos convênios tanto a área do velório quanto a administração é muito melhor. A parte da prefeitura é quase completamente abandonada. Os banheiros são um nojo para usar", diz um depoimento.
Além da vegetação, visitantes relatam problemas graves de segurança. "Muito cuidado com assaltos, principalmente a tarde. Velório no período noturno muito perigoso. Falta segurança. Cuidado redobrado", alerta um visitante. Outro relato menciona a presença de moradores de rua e usuários de drogas circulando por todas as partes, inclusive utilizando as torneiras do cemitério para banho.
O vereador Celso Giannazi (PSOL), autor de um pedido de CPI para investigar a privatização do sistema funerário de São Paulo, é categórico: "A privatização está sendo um absurdo caos, o prefeito Ricardo Nunes trata a morte com absoluto descaso. Não temos uma política pública séria. É muito importante instalar essa CPI, que ela seja imediatamente instalada".



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