Concessão de pátios por Tarcísio pode acabar com 50 mil empregos no setor de guinchos
- há 4 horas
- 2 min de leitura
Categoria que fez campanha para o governador aponta traição; privatização sem licitação prévia para estudos concentra serviço em grandes grupos e aumentará custos para população

Trabalhadores e empresários do setor de guinchos, que mobilizaram suas estruturas para eleger Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, agora denunciam que o governador os abandonou para entregar o setor a grandes grupos econômicos. A concessão dos pátios veiculares do estado pode eliminar 50 mil postos de trabalho, segundo estimativas dos sindicatos da categoria.
A revolta do setor se expressa nas palavras de Lázaro Fernando de Carvalho, dirigente da Associação dos Proprietários de Pátios e Guinchos do Estado de São Paulo (Apagesp): "Nós trabalhamos por ele. Tinha guincho puxando pallet de panfleto. Nós trabalhamos em campanha para o Tarcísio. Ele traiu todos que o apoiaram". A analogia com o trator, marca registrada de Tarcísio desde a campanha, agora é usada pela categoria para denunciar o governador. "Ligaram o trator de esteira, botaram fone de ouvido e estão massacrando tudo. Enquanto a gente conversava de um lado, o Tarcísio foi tocando a lenha do outro", afirma Ronaldo Eger, representante do sindicato dos proprietários de guinchos.
O projeto do governo estadual prevê a concessão dos serviços de remoção, guarda, liberação e leilão de veículos apreendidos pelo Detran e pela Polícia Rodoviária Federal. Na prática, significa privatizar a gestão dos pátios onde ficam os carros removidos das ruas.
A indignação da categoria tem fundamentos técnicos. O Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) foi contratado sem licitação para elaborar os estudos que embasam a concessão. O mesmo banco desenhou o modelo de privatização dos pátios no Paraná, onde o serviço já está sendo entregue a grupos privados.
Os números do estudo do BRDE revelam o impacto na população. A análise indica que haverá aumento de 17% no custo de remoção de veículos leves e de até 300% para caminhões. Além disso, a redução do número de pátios forçará motoristas a buscarem seus veículos em cidades distantes.
A concessão unificou na luta a Apagesp, o Segresp (sindicato dos proprietários de guinchos) e o Singuesp (sindicato dos trabalhadores guincheiros), que planejam grandes manifestações até 29 de abril, data prevista para a licitação.



Comentários