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Cracolândia "desaparece" da noite para o dia: o higienismo de Tarcísio e Nunes em ação

  • imprensa5967
  • 15 de mai. de 2025
  • 2 min de leitura

Movimentos sociais e especialistas apontam dispersão forçada de usuários como estratégia violenta que ignora direitos humanos e evidencia falência das políticas públicas de saúde


Foto: Craco Resiste
Foto: Craco Resiste

Na manhã de 13 de maio, a região da Rua dos Protestantes, no centro de São Paulo, amanheceu vazia. O local, conhecido como Cracolândia, que por décadas concentrou usuários de drogas e foi palco de políticas públicas controversas, estava deserto. A Prefeitura de São Paulo e o governo estadual atribuíram o esvaziamento a ações contínuas de segurança e combate ao tráfico. Entretanto, movimentos sociais, como o Craco Resiste, e especialistas denunciam que a dispersão foi resultado de uma operação violenta e desumana, caracterizada por agressões físicas, internações forçadas e perseguições que violam os direitos fundamentais dos usuários.


Relatos indicam que dependentes químicos foram removidos à força, com uso de cassetetes e spray de pimenta, sendo levados para locais distantes, como o bairro Parque Santos Dumont, em Guarulhos, sem consentimento ou acompanhamento adequado . Segundo o sociólogo Marquinhos Maia, fundador do coletivo Pagode na Lata, as ações configuram um "estado de exceção" que segue uma "linha do fascismo", utilizando táticas de tortura e repressão para esconder o problema social em vez de enfrentá-lo com políticas públicas eficazes.


O PSOL repudia veementemente as ações coordenadas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), que optam por uma abordagem higienista e repressiva, ignorando as complexidades da dependência química e os direitos das pessoas em situação de vulnerabilidade. A dispersão forçada não resolve o problema; apenas o desloca para outros bairros da cidade, agravando a situação dos usuários e dificultando ainda mais o acesso a serviços de saúde e assistência social.


É imperativo que as autoridades adotem políticas públicas baseadas na redução de danos, no respeito aos direitos humanos e na inclusão social, garantindo tratamento digno e eficaz para os dependentes químicos. A repressão e o encobrimento forçado da Cracolândia não são soluções; são sintomas de uma gestão que falha em enfrentar os desafios sociais com responsabilidade e humanidade.

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