Cultura | "Eu sou o Brasil: artistas populares", no Sesc Santo Amaro
- 11 de dez. de 2025
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Exposição com 57 obras do Acervo Sesc de Arte celebra artistas autodidatas de todo o país e fica em cartaz até 28 de dezembro

O Sesc Santo Amaro recebe até 28 de dezembro a exposição "Eu sou o Brasil: artistas populares", com 57 obras pertencentes ao Acervo Sesc de Arte. A mostra, com curadoria de Renan Quevedo, reúne produções de 30 artistas autodidatas de diferentes regiões do Brasil, revelando a pluralidade e a potência simbólica da arte popular – força criativa marcada pela ancestralidade, memória coletiva e resistência.
Organizada em quatro núcleos temáticos – Fauna e Flora, Cotidiano, Ofícios e Festas –, a exposição inclui pinturas, esculturas, xilogravuras e objetos que celebram saberes transmitidos de geração em geração. Entre os artistas presentes estão nomes como J. Borges, Maria Lira Marques, Berbela, Waldomiro de Deus, Zica Bergami, José Antônio da Silva e Suene Oliveira Santos.
Quatro núcleos que narram o Brasil
O núcleo Fauna e Flora apresenta elementos da natureza reproduzidos em diversos suportes. Papel, madeira, metal, tintas industriais e pigmentos naturais dão vida a bichos reais e imaginários que atravessam visões, crenças e lendas. As xilogravuras do mestre J. Borges dialogam com as pinturas da mineira Maria Lira Marques, inspiradas nos tons do Vale do Jequitinhonha. O baiano Berbela cria inventivos simulacros de insetos a partir da soldagem e reciclagem de descartes da comunidade de Paraisópolis.
Em Cotidiano, dinâmicas do dia a dia urbano e rural ganham forma. Um painel imponente com mais de uma centena de ex-votos abre caminho para carrancas, orixás, anjos esculpidos e cenas de lazer. Waldomiro de Deus, Zica Bergami e Mestre Saúba retratam trabalho, fé, sonhos e brincadeiras infantis com olhares que revelam crítica social e manifestações de religiosidade popular.
O núcleo Ofícios destaca atividades ligadas ao fazer manual e aos trabalhos do campo. A geringonça "Vida na Roça" de Mestre Molina e as obras de José Antônio da Silva, Ranchinho e Neves Torres evocam o fluxo de migrantes que contribuíram para a economia paulistana e influenciaram a constituição de comunidades urbanas, como a do entorno do próprio Sesc Santo Amaro.
Já Festas celebra manifestações culturais coletivas. Folia de Reis, frevo, circo, parques de diversões e rituais de agradecimento pela colheita ganham vida através de pinturas, esculturas e xilogravuras. A roraimense Carmézia Emiliano, da etnia Macuxi, cria representação da Parixara, celebração tradicional em agradecimento à comida e fortalecimento de laços comunitários.
Arte popular além do estereótipo
"Aqui, nos distanciamos do caráter ingênuo ao qual a arte popular foi associada – e ainda é – para orgulhosamente descortinarmos seus aspectos densos, ambivalentes, extraordinários e profundos", afirma Quevedo no texto curatorial. Segundo o curador, os artistas começam a esculpir, pintar, entalhar e modelar movidos pela vontade de externalizar poeticamente impulsos criativos, consolidando pilares culturais e pertencimentos sociais.
Marcadas pela experimentação, oralidade e saberes intergeracionais, as obras têm em comum a produção à margem do circuito institucional de arte. Elas refletem vivências e territórios diversos, suscitando críticas sociais, retratando experiências cotidianas ou celebrando festas e rituais que articulam símbolos, comunidades e territórios.
Com visitação gratuita e acesso livre, "Eu sou o Brasil: artistas populares" permanece disponível por mais algumas semanas, encerrando em 28 de dezembro. Uma chance de conhecer narrativas que atravessam gerações e territórios, celebrando a diversidade criativa brasileira.
Eu sou o Brasil: artistas populares
Local: Sesc Santo Amaro – Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro, São Paulo/SP
Até: 28 de dezembro de 2025
Horários: Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados, das 10h às 21h30 | Domingos e feriados, das 10h às 18h30
Entrada: Gratuita
Mais informações: sescsp.org.br/santoamaro