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Cultura | "La Chola Poblete: Pop andino" no MASP: arte latina que desafia cânones coloniais

  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

Primeira individual da artista argentina no Brasil reúne aquarelas, performances e manifestos que fundem cosmologia andina, barroco e cultura pop para discutir identidade, gênero e os efeitos do colonialismo


Foto: Reprodução/MASP
Foto: Reprodução/MASP

O MASP recebe até 2 de agosto a exposição "La Chola Poblete: Pop andino", primeira mostra individual no Brasil da artista argentina La Chola Poblete (Guaymallén, Argentina, 1989). A exposição integra a programação anual do museu dedicada às Histórias latino-americanas e apresenta trabalhos que partem da arte pop para ressignificá-la em um contexto latino-americano, articulando discussões sobre gênero, sexualidade, identidades cholas e os efeitos do colonialismo.


O termo chola se refere a mulheres de ascendência indígena e surgiu como uma injúria racial no Peru e na Bolívia, de onde vêm os antepassados da artista. Poblete parte dessa narrativa para desconstruir estereótipos produzidos sobre sua comunidade e história, trabalhando com pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e performance.


Recorda que, no início, adotou a figura da chola como um alter ego e uma ferramenta para sua transição de gênero, embora também buscasse homenagear suas raízes familiares e aquelas mulheres que trabalham a terra, para quem esse conceito foi usado historicamente de forma despectiva. Após fazer história como a primeira artista queer premiada com uma menção honrosa na Bienal de Veneza, a Chola apresenta sua primeira exibição no Brasil.


Entre os destaques da mostra está a série de aquarelas "Vírgenes cholas" (2022 — em processo). A artista une divindades andinas e católicas, referências à música e à moda, frases de protestos políticos e dados autobiográficos. Juntos, esses elementos assumem uma dimensão coletiva ao evidenciar conflitos e potencialidades vividas por artistas oriundos de grupos historicamente marginalizados.


A série surge de uma anedota sobre seu avô materno, que quando criança encontrou uma figura de uma virgem, a quebrou e cresceu sob a crença de uma maldição que o levou a morrer eletrocutado aos 33 anos. A artista transforma essa narrativa pessoal em obra que dialoga com questões coletivas sobre trauma, identidade e colonialismo.


Nos cartazes "PAP ART / Pop Andino" (2023), dispostos em uma das paredes de abertura da exposição, La Chola Poblete constrói uma persona de cantora em turnê, em diálogo com a cultura pop e a lógica da divulgação musical. Entre suas referências está a capa do álbum Artpop, de Lady Gaga.


A narrativa da Chola como figura a ser admirada também percorre o "Manifesto pop andino" (2023) – uma peça sonora que dá título à exposição – disponível nas principais plataformas de áudio e que começa com a frase: "Meu gênero é artista".


Suas esculturas feitas com pão têm forte apelo sensorial e evocam as dimensões simbólicas e econômicas desse alimento. Suas fotografias sugerem ficções que colocam a artista como uma cantora pop ou como uma figura mitológica.


Com curadoria de Adriano Pedrosa, diretor artístico do MASP, e Leandro Muniz, curador assistente, a exposição propõe reflexões sobre os legados coloniais na América Latina, partindo da biografia da artista para discutir as presenças indígenas, populares e híbridas na Argentina – e, por extensão, em toda a região andina.


La Chola Poblete: Pop andino


Local: MASP – Museu de Arte de São Paulo Assis ChateaubriandAv. Paulista, 1.578 – Bela Vista, São Paulo/SP

Período: Até 2 de agosto de 2026

Horário: Terça (grátis) 10h–20h | Quarta e quinta 10h–18h | Sexta 10h–21h (grátis a partir das 18h) | Sábado e domingo 10h–18h

Mais informações: masp.org.br

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