Escolas cívico-militares de Tarcísio começam com erros de português no quadro e sem uniforme para alunos
- imprensa5967
- há 7 horas
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Policiais aposentados escrevem "descançar" e "continêcia" em aula; 100 escolas iniciaram sem kits prometidos, enquanto regulamento prevê punições por não usar vestuário

As escolas cívico-militares de São Paulo, bandeira do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), iniciaram o ano letivo de 2026 com problemas que escancaram a fraude representada pelo programa. Na Escola Estadual de Caçapava, vídeos flagraram erros grosseiros de português cometidos por policiais militares aposentados durante atividades de ordem unida no primeiro dia de aula: "descançar" grafado com "ç" em vez de "descansar" com "s", e "continêcia" sem a letra "n" antes do "c" – o correto é "continência".
As imagens, registradas pela TV Vanguarda e divulgadas pela deputada estadual Mônica Seixas (PSOL-SP), mostram alunos em posição de soldado aprendendo comandos militares enquanto os erros permaneciam escritos no quadro. O episódio ocorreu logo no início das atividades do modelo que custará R$ 17 milhões por ano aos cofres públicos e emprega 208 policiais militares aposentados como monitores.
O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) repudiou a implantação, classificando o modelo como "inconstitucional e autoritário". A entidade criticou o uso de recursos da Educação e a contratação de militares aposentados, além de afirmar que a medida foi adotada sem consulta à comunidade escolar.
Ao todo, 100 escolas estaduais iniciaram 2026 dentro do modelo cívico-militar, distribuídas em 89 municípios. As unidades deveriam seguir as diretrizes do Currículo Paulista com apoio de monitores militares na segurança, disciplina, acolhimento e promoção de valores cívicos. A prática, porém, mostra despreparo pedagógico básico.
Outro problema grave é a falta de uniformes. Uma semana antes do início das aulas, a Secretaria da Educação ainda não havia entregue os kits nos colégios que adotaram o modelo militarizado. Reportagem do Metrópoles contatou escolas de três cidades da Grande São Paulo e, em todas, funcionários informaram que não havia previsão de entrega. Em uma delas, a orientação foi que estudantes usassem calça jeans e camiseta provisoriamente.
A entrega de uniformes gratuitos está prevista na lei que criou o programa e o uso é obrigatório, segundo o regulamento da Secretaria de Educação. As regras preveem inclusive punições aos alunos que não utilizarem as peças - justamente o vestuário que o governo não conseguiu entregar no prazo.
A compra dos uniformes, estimada em R$ 57,6 milhões, previa aquisição de 1,2 milhão de peças. O processo de licitação enfrentou problemas: quatro modelos de camisetas foram retirados do edital por não atenderem às especificações técnicas, e o pregão segue em andamento.
O modelo representa aceno direto à base bolsonarista e enfrentou resistência judicial antes de sair do papel. Foi adiado de 2025 para 2026 após decisões judiciais, e sua constitucionalidade ainda será analisada pelo plenário do STF.



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