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Gestão Ricardo Nunes deixa de pagar por exames e provoca colapso na saúde pública

  • imprensa5967
  • 17 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

Dívida de R$ 120 milhões com laboratório suspende atendimento em 111 UBSs e cinco hospitais municipais


Foto: Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo/Flickr/Divulgação
Foto: Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo/Flickr/Divulgação

A população paulistana enfrenta mais um capítulo do descaso da gestão Ricardo Nunes (MDB) com a saúde pública: 111 Unidades Básicas de Saúde e cinco hospitais municipais estão sem realizar exames laboratoriais após a Associação Fundo de Incentivo à Pesquisa (AFIP) suspender os serviços por falta de pagamento. A entidade, responsável por 35% dos exames laboratoriais pelo SUS na capital, acumula uma dívida de R$ 120 milhões referente a oito meses sem receber.


A paralisação atinge diretamente 200 mil pacientes por mês que dependem de exames como sangue, fezes e urina para diagnósticos e tratamentos. São 2 milhões de exames mensais interrompidos nas zonas leste e oeste. Os hospitais Waldomiro de Paula, Tide Setúbal, Ermelino Matarazzo, Mário Degni e Menino Jesus também ficaram sem o serviço.


A AFIP vem alertando a prefeitura desde agosto sobre o risco de colapso. O prefeito Ricardo Nunes foi informado na semana passada, mas não houve qualquer tentativa de negociação. "É com muita tristeza que tomamos essa decisão, mas chegamos ao nosso limite", afirmou o diretor-presidente da AFIP, Sérgio Brasil Tufik.


Oito meses sem pagar


A dívida corresponde aos três últimos meses de 2024 e todo o segundo semestre de 2025. Além disso, a AFIP cobra mais de R$ 9 milhões por exames de Covid realizados em 2020 e nunca quitados. "Os serviços foram integralmente prestados e atestados pela Secretaria Municipal de Saúde, contudo, em razão de alegada insuficiência orçamentária, os pagamentos não foram efetuados", protestou a associação.


A prefeitura alega ter pago R$ 212 milhões à AFIP em 2025, mas a entidade esclarece que esses recursos são de outros contratos financiados pelo Ministério da Saúde para transplantes e distrofia muscular, sem relação com os exames das UBSs. A Secretaria ainda menciona R$ 102 milhões em "fase de conferência", mas segundo a vice-presidente da AFIP, Tânia Regina Noquelli, não há comunicação clara: "São cerca de oito meses sem recebimento, com muita dificuldade de interlocução".


A crise resultou na desmobilização de 350 profissionais – técnicos, enfermeiros e motoristas. Os equipamentos foram removidos na madrugada de terça. Para a população, o impacto é grave: sem exames básicos, diagnósticos atrasam e tratamentos ficam comprometidos justamente em período crítico do ano.


A Secretaria Municipal de Saúde afirma ter implementado um "plano de contingência", mas na prática isso significa sobrecarregar outros serviços sem planejamento adequado. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação na última sexta-feira para apurar as causas da interrupção.


Falta prioridade, não recursos


São Paulo é a cidade mais rica do país. A alegação de "insuficiência orçamentária" não se sustenta quando gastos com publicidade e obras seguem normalmente. O que falta não são recursos, mas vontade política de priorizar a saúde da população. Os 200 mil pacientes que dependem mensalmente desses exames não podem ser tratados como números em planilhas. São pessoas reais que precisam de diagnósticos adequados e que agora veem mais uma porta se fechar por incompetência administrativa.

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