Milhares de pessoas tomam a Paulista em ato histórico contra escalada de feminicídios
- imprensa5967
- 7 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: 8 de dez. de 2025
Levante Mulheres Vivas mobiliza país após casos brutais de violência; São Paulo registra recorde de feminicídios em 2025 com 53 casos até outubro

A Avenida Paulista foi tomada por milhares de pessoas na tarde deste domingo (7) no maior ato nacional contra o feminicídio dos últimos anos. Organizada pelo Levante Mulheres Vivas, a manifestação teve início às 14h, com concentração desde o meio-dia no vão do MASP, e mobilizou simultaneamente mais de 15 cidades brasileiras em resposta à escalada brutal de violência contra mulheres no país.
O ato em São Paulo reuniu militantes e ativistas, partidos, movimentos sociais, sindicatos e cidadãos indignados com os casos recentes que chocaram o Brasil. Entre gritos de "nem uma a menos", manifestantes ocuparam a avenida carregando cartazes com os nomes das vítimas e exigindo respostas urgentes do Estado.
Recorde histórico de violência
A cidade de São Paulo registrou 53 feminicídios entre janeiro e outubro de 2025, o maior número desde 2015, quando a série histórica foi iniciada. No estado, foram 207 casos no mesmo período, aumento de 8% em relação ao ano anterior. A maioria dos crimes ocorre dentro de casa e as vítimas são assassinadas com armas brancas ou objetos contundentes.
Luciana Trindade, consultora especializada em direitos das mulheres com deficiência e uma das coordenadoras nacionais do ato, ressaltou a urgência da mobilização. Ela explica que o movimento nasceu da iniciativa de Lívia Gatto e Rachel Ripani, a partir de um grupo de WhatsApp que rapidamente reuniu mais de 200 pessoas de todas as regiões do país. Em poucos dias, organizaram uma ação coordenada e nacional com foco em enfrentamento à violência e cobrança por políticas públicas efetivas.
Casos brutais que motivaram a convocação
A mobilização ganhou força após casos chocantes nas últimas semanas. No dia 29 de novembro, Tainara Souza Santos, de 30 anos, teve as duas pernas amputadas após ser arrastada por um carro na Marginal Tietê. O agressor, Douglas Alves da Silva, de 26 anos, com quem manteve relacionamento, está preso. Tainara permanece internada em estado grave.
Dois dias depois, um homem invadiu a pastelaria onde sua ex-namorada trabalhava, na zona norte da capital, e atirou contra ela usando duas pistolas. A vítima, de 38 anos, foi baleada ao menos seis vezes e sobreviveu.
No Rio de Janeiro, em 28 de novembro, a diretora Allane de Souza Pedrotti Matos, de 41 anos, e a psicóloga Layse Costa Pinheiro, de 40 anos, foram assassinadas a tiros dentro do Cefet Celso Suckow da Fonseca, no Maracanã. O autor foi João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, servidor da instituição que não aceitava ser subordinado a mulheres em posições de chefia. Após matar as duas colegas, cometeu suicídio. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio.
Allane era doutora em Letras pela PUC-Rio e também cantora e pandeirista. Layse foi aprovada em primeiro lugar no concurso público para psicóloga do Cefet em 2014. Ambas eram mulheres negras, bem-sucedidas profissionalmente e mortas por um homem que não suportava ser liderado por elas.
Entre as reivindicações nos atos, estão a implementação efetiva da Lei Maria da Penha, ampliação das Delegacias de Defesa da Mulher e funcionamento 24 horas, políticas de prevenção nas escolas, punição rigorosa aos agressores e enfrentamento às redes de ódio e misoginia que proliferam nas redes sociais.
Além de São Paulo, atos simultâneos ocorreram em Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Manaus, Campo Grande, Fortaleza e outras capitais. Em Porto Alegre e Belém, as manifestações aconteceram no sábado (6).



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