Operação Cliente Fantasma: PF mira banco da Paulista por lavar R$ 25 bilhões do crime organizado
- há 4 dias
- 2 min de leitura
BMP omitia identificação de clientes ao Banco Central, criando "fantasmas" no sistema financeiro que movimentavam valores bilionários sem fiscalização

A Polícia Federal deflagrou na última quarta-feira (25) a Operação Cliente Fantasma, que investiga o banco BMP (antiga BMP Money Plus), localizado na Avenida Paulista, por facilitação da lavagem de mais de R$ 25 bilhões, incluindo recursos das maiores organizações criminosas do Brasil. Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na sede do banco e nos endereços do presidente da instituição e do chefe do setor de compliance, em São Paulo e Barueri.
As investigações apontam que o banco, embora regularmente autorizado a operar pelo Banco Central, deixava de informar a identificação de seus clientes ao órgão regulador, em desacordo com a Resolução 179/2022 e outras normas de prevenção à lavagem de dinheiro. Na prática, esses usuários permaneciam "invisíveis" aos órgãos de controle, funcionando como verdadeiros fantasmas dentro do sistema financeiro, o que possibilitava a movimentação bilionária de valores ilícitos sem fiscalização.
Um dos pilares dos crimes era a falha deliberada e sistêmica nos mecanismos de controle do banco. O BMP é acusado de omitir comunicações obrigatórias ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão central de inteligência do país. Ao reter os alertas sobre operações atípicas, a instituição blindava seus usuários contra investigações, inviabilizando bloqueios judiciais e o mapeamento dos beneficiários finais.
O nome da operação, "Cliente Fantasma", faz referência justamente a essa prática: manter contas e movimentações sem a devida identificação dos titulares perante o Banco Central. Com essa invisibilidade, os clientes podiam movimentar bilhões em valores ilícitos sem rastreamento financeiro ou repressão às atividades criminosas.
A Cliente Fantasma é um desdobramento da Operação Alcaçaria, deflagrada em 2024 pela PF, quando foram cumpridos 62 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. Também houve compartilhamento de provas da Operação TaiPan, igualmente de 2024, que resultou em 38 mandados de busca e 16 de prisão. Ambas as ações integram investigações voltadas ao combate à lavagem de dinheiro e ao crime organizado.
As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Criminal Federal de São Paulo. Os investigados poderão responder pelos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, omissão de informações ao órgão regulador e lavagem de capitais. As investigações ainda estão em andamento para identificar todos os envolvidos e dimensionar o volume total das fraudes.
Com a apreensão de documentos e dispositivos eletrônicos, a investigação entra na fase de cruzamento de dados, com foco na reconstrução das trilhas financeiras para identificar a identidade real dos "clientes invisíveis" e o destino final do dinheiro movimentado pelo banco.



Comentários