Oposição protocola CPI do Carnaval em SP para investigar gestão, contratos e suspeitas de corrupção na SPTuris
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Requerimento reúne 19 assinaturas, incluindo três vereadores da base de Nunes; documento cita redução de 37% nos banheiros químicos e questiona diferença entre custo oficial e gastos reais da festa

A oposição ao prefeito Ricardo Nunes (MDB) na Câmara Municipal de São Paulo conseguiu reunir as assinaturas necessárias para protocolar pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as irregularidades, falhas e omissões no planejamento, gestão, orçamento e infraestrutura do Carnaval de Rua deste ano. A iniciativa é da vereadora Amanda Paschoal (PSOL) e conta com assinaturas de três vereadores da base do prefeito.
O requerimento foi protocolado nesta terça-feira (3) e reúne ao todo 19 assinaturas. Assinam o requerimento os vereadores Nabil Bonduki, Luna Zaratii, João Ananias, Hélio Rodrigues, Senival Moura, Alessandro Guedes (todos do PT), Keit Lima, Toninho Vespoli, Silvia da Bancada Feminista, Celso Giannazi (do PSOL), Marina Bragante (Rede), Eliseu Gabriel, Renata Falzoni (PSB), além de Silvão Leite (União), Adilson Amadeu (União) e Gabriel Abreu (Podemos).
A versão inicial do requerimento, que começou a circular em 9 de fevereiro, após os tumultos no pré-Carnaval, cita reportagens do Metrópoles, como a que revelou que a prefeitura contratou 37% menos banheiros químicos em relação ao ano anterior. A vereadora também questiona a diferença entre os R$ 29,2 milhões divulgados como custo oficial, oriundos de patrocínio da Ambev, e estimativas que indicam gastos superiores a R$ 60 milhões.
Ao longo do Carnaval de Rua foram registrados diversos problemas de organização. Além disso, denúncias reveladas em reportagens do jornalista Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, revelaram um esquema de "laranjas" na empresa contratada para organizar o carnaval de rua. E o que se viu foi uma festa cheia de problemas estruturais: ausência de banheiros, equipamentos mal localizados, pessoas constrangidas por não terem onde fazer suas necessidades, chegando a usar a rua. A situação foi especialmente grave na região da Consolação, onde apresentações simultâneas causaram superlotação, derrubada de grades e foliões passando mal.
"É preciso investigar a fundo os desvios que fizeram o carnaval de 2026 ser um fiasco de gestão, mas sobretudo a corrupção sistêmica presente na SPTuris, que inclusive o Metrópoles trouxe à tona. O MP já está investigando, mas a Câmara precisa cumprir o seu papel e o protocolo dessa CPI mostra nossa indignação", comentou Amanda Paschoal.
A CPI busca apurar não apenas os problemas pontuais do Carnaval 2026, mas também as denúncias de irregularidades nos contratos firmados pela SPTuris – empresa municipal de turismo que coordenou a festa. As suspeitas incluem esquemas de "laranjas" em empresas contratadas, superfaturamento e uso indevido de recursos públicos.
A efetiva instauração da CPI, contudo, depende de decisão da mesa diretora. Além disso, precisa ser liberada uma "vaga". Por regimento, a Câmara Municipal de São Paulo pode ter até cinco CPIs ao mesmo tempo, limite que foi flexibilizado para 2025 e 2026 para seis.
A investigação se soma às apurações já em curso no Ministério Público sobre os contratos da SPTuris e reforça a pressão sobre a gestão Nunes em meio a vários escândalos de corrupção envolvendo a cultura da cidade e o próprio Carnaval, que vinha sendo apresentado como vitrine de uma São Paulo que recuperou a festa de rua após anos de esvaziamento.



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