Réu por feminicídio, tenente-coronel da PM-SP é aposentado com salário integral em tempo recorde
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Geraldo Leite Rosa Neto, preso há menos de três semanas quando a portaria foi publicada, garantiu benefício que pode chegar a R$ 20 mil mensais – enquanto processo de expulsão ainda tramita na Corregedoria

O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso preventivamente sob acusação de matar a própria esposa, a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi transferido para a reserva pela Polícia Militar de São Paulo com direito a vencimentos integrais. A portaria foi publicada no Diário Oficial do Estado no dia 2 de abril – apenas 15 dias após sua prisão.
Pelos critérios de proporcionalidade de idade previstos na legislação militar, a aposentadoria do tenente-coronel deve chegar a cerca de R$ 20 mil mensais. Em fevereiro, mês da morte de Gisele, o salário bruto do oficial era de R$ 28.946,81, com líquido de R$ 15.092,39, conforme o Portal da Transparência do Estado.
Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento onde o casal vivia, na região do Brás, no centro de São Paulo, em 18 de fevereiro. O caso foi inicialmente registrado como suicídio, mas passou a ser tratado como feminicídio qualificado e fraude processual após a família relatar que ela vivia sob controle abusivo e ciúmes excessivos do marido. A investigação aponta contradições na versão do tenente-coronel, indícios de manipulação da cena do crime e sinais de violência anterior à morte.
A velocidade do processo surpreendeu. Em geral, a existência de um processo de expulsão aberto pela Corregedoria é exatamente o que retarda ou impede a concessão da reserva – mas, no caso de Rosa Neto, o pedido teria sido aprovado em menos de uma semana. O advogado da família de Gisele disse que a celeridade da corporação "causou espécie" e confirmou que a tramitação foi concluída em tempo incomum.
Especialistas ouvidos pela imprensa apontaram que oficiais ameaçados de expulsão costumam recorrer ao pedido de reserva justamente para arquivar o processo disciplinar e assegurar os proventos. Há ainda outro desdobramento prático: aposentado na PM, Rosa Neto tem o direito de cumprir eventual pena em instalação militar – como o Presídio Romão Gomes, onde está detido atualmente.
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), embora tenha afirmado que o oficial deveria "apodrecer pelo resto da vida na cadeia", defendeu o recebimento da aposentadoria integral por parte do PM criminoso. A defesa de Geraldo Neto classificou a aposentadoria como uma decisão pessoal do cliente, tomada após o cumprimento de sua carreira. Os pais de Gisele reagiram de forma diferente: "Para ela sobrou o caixão."



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