Uma pessoa morre a cada 3 dias por chuvas em SP há 5 anos enquanto governo Tarcísio corta 34,6% do orçamento para segurança hídrica
- imprensa5967
- há 4 dias
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Foram 197 mortes nos últimos cinco verões; Capão Redondo expõe negligência com obras de drenagem atrasadas enquanto casal de idosos morre arrastado por enxurrada

Nas últimas cinco estações chuvosas, uma pessoa morreu, em média, a cada três dias em São Paulo durante os meses de verão, conforme apuração da Agência Pública junto à Defesa Civil do Estado. Foram 197 mortes entre dezembro de 2022 e março de 2026, causadas por enchentes, deslizamentos de terras e raios. Somente nas oito primeiras semanas da Operação Chuvas de Verão 2025/2026, foram contabilizadas 12 vítimas.
Uma das tragédias mais recentes ocorreu no dia 16 de janeiro, quando Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, e Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, morreram após serem arrastados por uma enxurrada na Avenida Carlos Caldeira Filho, no Capão Redondo, Zona Sul. O veículo do casal foi tragado pelo córrego "Morro do S", e seus corpos foram encontrados dias depois no Rio Pinheiros.
Capão Redondo: alagamentos recorrentes e obras atrasadas
A deputada estadual Ediane Maria (PSOL) pediu inquérito civil para investigar as condutas da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras e do consórcio "CG-JZ-Carlos Caldeira", responsável por projetos de controle de enchentes. Segundo a parlamentar, a região sofre com alagamentos recorrentes, com consequências graves para a população, enquanto obras como a canalização do córrego Água dos Brancos e a construção de um sistema de microdrenagem no Capão Redondo encontram-se atrasadas.
"Trata-se de um problema antigo, para o qual foram pensadas medidas para solucionar, mas que não vêm sendo executadas a contento pelo ente municipal e pelo consórcio responsável", afirmou Ediane. Moradores relatam ocorrências frequentes de acidentes provocados por alagamentos, com vítimas fatais em situações similares nos anos anteriores.
Cortes orçamentários agravam tragédias
No dia em que o Estado contabilizava a 12ª morte em decorrência das chuvas, a Agência Pública revelou que o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) reduziu em 34,6% os recursos do Orçamento de 2026 destinados à segurança hídrica. O orçamento da área caiu de R$ 2,1 bilhões em 2025 para cerca de R$ 1,37 bilhão em 2026, com cortes significativos em programas de proteção de mananciais e sistemas de drenagem e combate a enchentes.
A medida ocorre num contexto marcado pela crise de água que pode ser a mais grave da história de São Paulo e por chuvas intensas que já causaram mortes neste verão. A Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) respondeu que "tem os investimentos em resiliência hídrica e a eficiência no uso de recursos públicos", sem detalhar como os cortes não comprometeriam a prevenção.
Segundo a Prefeitura de São Paulo, enchentes e alagamentos aumentaram 47% na capital paulista em 2025 na comparação com o ano anterior.