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Violência doméstica é apontada como principal desafio por 68% das mulheres periféricas de São Paulo

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

Estudo do Instituto Data Favela revela que feminicídio e falta de rede de apoio concentram maiores preocupações das moradoras de periferias paulistanas


Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A violência doméstica, tendo o feminicídio como consequência fatal, é o maior desafio enfrentado pelas mulheres nas periferias, segundo dados do estudo Sonhos da Favela, do Instituto Data Favela. A pesquisa nacional aponta que essa é a maior preocupação para 7 em cada 10 mulheres entrevistadas. Nas periferias de São Paulo, o índice chega a 68%.


Os números refletem uma realidade alarmante. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o estado registrou o maior número de feminicídios em 2025 desde o início da série histórica, em 2018. Casos recentes, como os de Priscila Verson, de 22 anos, e Tainara Souza Santos, ambas vítimas de feminicídio na região da Vila Maria, zona norte da capital, expõem a gravidade do cenário. Em escala nacional, o Brasil atingiu número recorde de 1.518 vítimas de feminicídios em 2025, de acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública.


Além da violência doméstica, o estudo revela outros obstáculos estruturais que marcam a vida das mulheres periféricas. O apoio no cuidado com os filhos aparece como segundo principal desafio, mencionado por 43% das entrevistadas em São Paulo — percentual superior à média nacional de 37%. A dificuldade de acesso a emprego e renda vem em seguida, citada por 40% das paulistanas.


A falta de rede de apoio, como creches ou suporte familiar, é apontada como um dos fatores que impedem mulheres de acessarem o mercado de trabalho e gerarem renda. Esse cenário de sobrecarga com o trabalho de cuidado não remunerado se entrelaça com a instabilidade financeira que atinge 7 em cada 10 moradores de periferias no estado — e também se conecta à vulnerabilidade diante da violência doméstica, já que a dependência econômica muitas vezes dificulta o rompimento de relações violentas.


A pesquisa Sonhos da Favela, conduzida pelo Instituto Data Favela, buscou mapear a realidade, os desejos e os desafios das periferias brasileiras, identificando os principais sonhos e expectativas dos moradores até 2026. Apesar dos desafios estruturais, o levantamento também aponta características positivas: o maior sonho profissional de 38% dos moradores é ter o próprio negócio, evidenciando o espírito empreendedor da favela.


Há ainda uma avaliação positiva da convivência comunitária por 45% dos entrevistados, revelando redes de apoio e produção que sustentam o território mesmo diante da negligência histórica do Estado.


Os dados deixam claro que enfrentar a violência contra mulheres nas periferias exige políticas públicas integradas: não basta ampliar delegacias especializadas ou casas de acolhimento se não houver garantia de autonomia econômica, acesso a creches e uma rede de proteção que permita às mulheres romper ciclos de violência. A luta contra o feminicídio passa, necessariamente, pela garantia de condições dignas de vida e pela construção de territórios onde mulheres possam sonhar e viver com segurança.

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