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Laranjal de Nunes: R$ 232 milhões em contratos fantasmas e quedas no alto escalão da Prefeitura

  • há 6 dias
  • 3 min de leitura

TCM aponta irregularidades; empresa fantasma recebeu contratos sem licitação e pagou salários de até R$ 76 mil


Foto: Reprodução/Instagram/Montagem
Foto: Reprodução/Instagram/Montagem

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) demitiu na quarta-feira (25) o secretário-adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e o presidente da SPTuris, Gustavo Pires, após denúncias de um esquema de empresas laranjas que movimentou R$ 232 milhões em contratos com a prefeitura. A Controladoria Geral do Município encontrou uma procuração que comprova ligação direta entre Marinho e a empresa MM Quarter, registrada em nome de Nathália Carolina de Souza Silva, que mora em um cortiço na zona norte.


A MM Quarter foi fundada em abril de 2022, sete dias antes de Marinho ser nomeado secretário de Turismo. Nathália era sua sócia minoritária em uma empresa de comunicação política. Desde então, a Quarter passou a acumular contratos sem licitação com a SPTuris e a Secretaria de Turismo, organizando desde o Carnaval até shows gospel, Fórmula 1 e eventos da prefeitura.


O Tribunal de Contas do Município identificou irregularidades nos contratos. A prefeitura impôs sigilo sobre documentos que explicam a contratação, mantendo valores e justificativas sob reserva desde 2022.


Em três anos, o preço dos copinhos de água fornecidos pela Quarter mais que dobrou. A empresa só conseguiu participar da primeira licitação após receber um atestado de capacidade técnica de um contrato sigiloso arranjado para comprovar experiência.


A empresa também comanda uma folha de pagamento secreta na prefeitura. A Secretaria de Turismo renovava o contrato para que a Quarter gerisse o Centro de Informações Turísticas por R$ 12 milhões ao ano, mas a empresa não entregava itens visíveis como TV de 85 polegadas e mapa tátil, que custam R$ 200 mil anuais. Pelo mesmo contrato, a prefeitura bancou salário de R$ 76 mil para Bárbara Moraes, irmã dos verdadeiros donos da Quarter, os irmãos Victor e Marcelo Moraes. Nunes recebe metade disso.


Para justificar R$ 210 milhões em contratos sem licitação, a SPTuris comparava preços entre os irmãos Moraes. Quando precisava renovar contratos, recorria a pesquisas de mercado cotando preços com a VM Produções, de Victor Moraes, e a Oleiro, coordenada por Claudete Santos, principal operadora da empresa. Ou seja, a SPTuris comparava preços entre empresas do mesmo grupo para legitimar contratações milionárias.


Quatro funcionários e ex-funcionários da Quarter contatados por jornalistas nunca ouviram falar de Nathália, que assina seus contratos de trabalho. A mulher que atende ligações na empresa não tem o telefone da suposta dona. Quem realmente opera a MM Quarter é Marcelo Camargo Martins, cujos nome e sobrenomes formam a sigla MM. Ele também é presidente de uma ONG que recebeu R$ 212 milhões da gestão Nunes desde 2022.


A Quarter não precisa comprovar a entrega dos serviços. As prestações de contas têm apenas notas fiscais com números de diárias, sem comprovante de que os produtores trabalharam. A empresa cobrou R$ 8,6 mil por 10 guias turísticos bilíngues em entrevista coletiva de Nunes sem jornalistas estrangeiros.


A empresa foi contratada cinco vezes em seus primeiros 40 dias de existência. Até o fim de 2022, já tinha recebido R$ 1,8 milhão da gestão Nunes. O crescimento foi meteórico: R$ 50 milhões em 2024, chegando aos atuais R$ 232 milhões em contratos vigentes.


Gustavo Pires, demitido da SPTuris, deixa o cargo com patrimônio que inclui casa de R$ 4,6 milhões e um Porsche. Ele tinha 25 anos e um Polo quando foi contratado em 2018. O Ministério Público abriu inquérito para apurar improbidade administrativa.


Nunes nomeou o coronel Marcelo Vieira Salles, ex-comandante da Polícia Militar, para presidir a SPTuris. A oposição na Câmara Municipal já articula a criação de uma CPI para investigar o que chamam de "balcão de negócios" no Turismo paulistano.

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