Letalidade policial em SP sobe pelo 3º ano consecutivo sob Tarcísio; maioria das vítimas é jovem e negra
- imprensa5967
- há 4 dias
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Último trimestre foi o mais letal da história; polícia matou 3 pessoas por dia de outubro a dezembro, enquanto 4 em cada 10 assassinatos na capital foram cometidos por PMs

A letalidade policial em São Paulo voltou a crescer em 2025 e atingiu o terceiro aumento consecutivo durante o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). Foram 834 pessoas mortas em decorrência de ações de policiais civis e militares, em serviço ou de folga, ao longo do ano. O número representa 21 mortes a mais do que em 2024 e marca o maior patamar desde 2019.
O último trimestre de 2025 registrou o maior número de mortes provocadas por policiais desde o início da série histórica em 2015, quando o estado passou a adotar a metodologia atual de contabilização. Foram 276 mortes de outubro a dezembro, média de 3 pessoas mortas por dia pela polícia. Somente em novembro, o mês mais violento nos registros da Secretaria de Segurança Pública, foram 103 mortes.
Policiais militares em serviço mataram 700 pessoas no estado em 2025, crescimento de 7,8% em relação ao ano anterior. A PM foi responsável por 84% das mortes registradas, enquanto a Polícia Civil responde por 3,1% (26 casos). Na capital paulista, 4 em cada 10 assassinatos foram cometidos por policiais em 2024, segundo dados analisados por especialistas.
O aumento ocorreu mesmo sem megaoperações nos moldes da Escudo e Verão, que em 2023 e 2024 deixaram juntas 84 mortos na Baixada Santista. Ainda assim, o ano foi marcado por casos de grande repercussão em que policiais atiraram contra pessoas desarmadas. Câmeras corporais gravaram as mortes de um morador de rua em junho, de um suspeito com as mãos na cabeça em Paraisópolis em julho, e de um assaltante rendido em Moema em dezembro.
O racismo sistêmico e estrutural se mantém central: ao menos 59,7% das vítimas eram negras (pretos ou pardos), enquanto 32,1% eram brancas. Os percentuais destoam do perfil da população no estado, em que quase 58% dos habitantes se declaram brancos e 41%, pardos ou pretos. A ampla maioria das mortes vitimou jovens entre 18 e 35 anos (458) e homens (ao menos 823).
Leonardo Silva, pesquisador do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, avalia que declarações contrárias às câmeras corporais do governador no início do mandato passaram à tropa a mensagem de que excessos em ocorrências policiais seriam tolerados. "Vários discursos do governador e do secretário [Guilherme Derrite] batiam de frente com as políticas de mitigação do uso da força. Os policiais entenderam que houve uma mudança de postura institucional, e agiram em cima disso", diz Silva.



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