top of page

Nunes contratou empresa laranja para organizar Carnaval de São Paulo

  • há 9 horas
  • 2 min de leitura

MM Quarter tem R$ 183 milhões em contratos com prefeitura; dona formal mora em um cortiço e nunca foi localizada por funcionários da própria empresa


Foto: Gildson di Souza/Secom
Foto: Gildson di Souza/Secom

A organização do Carnaval de Rua de São Paulo foi terceirizada pela gestão Ricardo Nunes (MDB) a uma empresa que tem como única dona uma mulher que mora em um cortiço na zona norte. Fundada em 2022, a MM Quarter tem mais de R$ 183 milhões em acordos vigentes com a Secretaria de Turismo e a SPTuris, quase todos sem concorrência.


O montante já pago pela gestão Nunes à MM Quarter é incalculável, já que o sistema de transparência da prefeitura omite repasses feitos pela SPTuris em 2025 e 2026. Questionada, a prefeitura não informou os valores.


No papel, a Agência Quarter pertence à laranja Nathália Carolina de Souza Silva, que a fundou em abril de 2022. No mesmo mês, Marinho foi nomeado secretário de Turismo e a Quarter passou a conquistar contratos. Três meses depois, já tinha mais de R$ 800 mil com a SPTuris.


Desde então, praticamente toda a área de eventos da cidade é terceirizada à Quarter, que mantém ao menos 13 contratos de R$ 147 milhões com a SPTuris. Cada vez que ocorre um evento – de Carnaval a show gospel, de aniversário de bairro a Fórmula 1 – a Quarter é acionada.


Funcionários e ex-funcionários contatados pela imprensa nunca ouviram o nome de Nathália, que no papel é a dona da empresa e assina contratos de trabalho. A mulher que atende ligações na Quarter não tem o telefone de Nathália.


Quem opera a MM Quarter é Marcelo Camargo Martins, cujos nome e sobrenomes formam a sigla MM. Ele é presidente de uma ONG que recebeu R$ 212 milhões da gestão Nunes desde 2022.


A Quarter é contratada sempre sem concorrência. Esses acionamentos não seguem padrões mínimos de transparência. No Carnaval, o projeto inicial era contratar 150 diárias de guias turísticos bilíngues, mas a Secretaria de Turismo optou por contratar 2,8 mil diárias, cada uma por mais de R$ 1,1 mil.


A empresa sequer precisa comprovar a entrega dos serviços. As prestações de contas têm exclusivamente notas fiscais com o número de diárias cobradas. Não há comprovante de que os produtores efetivamente trabalharam, nem informações sobre quem são ou qual a qualificação.


Em uma nota fiscal, a Quarter cobrou R$ 8,6 mil por 10 guias turísticos bilíngues em entrevista coletiva de Nunes no dia 30 de janeiro. No local não havia guias identificados e a entrevista não contou com jornalistas estrangeiros.


No Carnaval, foram funcionários da Quarter que planejaram o calendário de rua, definiram trajetos e datas dos blocos. Esses trabalhadores ganham muito menos que os valores recebidos pela Quarter. Os guias turísticos recebem R$ 570 dos R$ 1.110 que a prefeitura paga à agência.


A conexão entre Nathália e Marinho é evidente. Rodolfo foi nomeado secretário em abril de 2022. Sete dias antes, Nathália fundou a Quarter. No mesmo mês em que deixou a sociedade com o secretário, a empresa já fechava contratos com a SPTuris.

Comentários


bottom of page