Nunes repassou R$ 545 milhões a rede de empresas com sinais de corrupção
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Análise de 34 contratos revela que MM Quarter, ASA e Mundo Melhor compartilham fornecedores e endereços comerciais

Entre 2022 e 2026, a Prefeitura de Ricardo Nunes repassou pelo menos R$ 545 milhões a 15 empresas e ONGs com laços administrativos e fiscais entre si, e vinculadas ao recém-descoberto escândalo de empresas-laranja vinculada ao prefeito. A verba milionária foi destinada a financiar eventos de grande porte, como o Carnaval de Rua, o Natal Iluminado, a Virada Esportiva e outros programas.
Uma análise de 34 contratos e 57 aditivos revelou que três dessas empresas - MM Quarter, ASA e Mundo Melhor - compartilham fornecedores e, em alguns casos, endereços comerciais. A investigação mostra indícios de conluio entre empresas do mesmo grupo, atividade de corrupção que geralmente resulta em superfaturamento e desvio de recursos públicos.
As pistas do esquema de corrupção ganharam novos desdobramentos a partir de 2026, após o prefeito Nunes demitir Gustavo Pires, presidente da SPTuris, e Rodolfo Marinho, secretário-adjunto de Turismo, após o escândalo vir à tona por meio de reportagens do jornalista Demétrio Vecchioli. A Controladoria-Geral do Município, em seguida, atestou a MM Quarter como foco central da apuração. A empresa era controlada por Marinho por meio de procuração, mesmo após sua nomeação ao cargo público.
Modelos de contrato adotados pela Prefeitura, como os termos de fomento e cooperação, foram apontados como facilitadores de irregularidades. O esquema funciona através da divisão de contratos entre empresas que, na prática, pertencem ao mesmo grupo econômico. Ao compartilhar fornecedores, endereços e estrutura administrativa, essas empresas criam uma falsa competição que permite ao grupo controlar fatias significativas dos recursos públicos destinados a eventos.
A MM Quarter, registrada em nome de Nathália Carolina de Souza Silva, que mora em um cortiço na zona norte, opera junto com a ASA, presidida por Marcelo Camargo Martins - cujos nomes e sobrenomes formam a sigla MM da Quarter. A ASA recebeu R$ 212 milhões da gestão Nunes desde 2022. A Mundo Melhor completa a rede de empresas investigadas.
Os contratos analisados mostram um padrão de acionamentos coordenados: quando uma empresa atinge o limite de seu contrato, outra do mesmo grupo assume o fornecimento, mantendo a continuidade do esquema. A prefeitura paga valores diferentes para serviços idênticos, dependendo de qual empresa do grupo executa.
O Ministério Público de São Paulo, em colaboração com a Controladoria-Geral do Município, segue investigando o caso. A apuração se concentra em verificar se houve direcionamento intencional de contratos e se os valores pagos estão acima dos praticados pelo mercado.