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Gestão Nunes corta médicos da família em SP e desmonta atenção primária do SUS

  • imprensa5967
  • 31 de jul.
  • 2 min de leitura

Médicos com contratos de 20 h são desligados por recusarem jornada de 40 h, numa mudança que prejudica o vínculo com comunidades e reduz capacidade de atendimento

Foto: Prefeitura de São Paulo
Foto: Prefeitura de São Paulo

A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) autorizou o corte dos médicos da família que atuavam em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital. Profissionais com contratos de 20 horas semanais têm sido desligados se recusam ampliar para 40 horas, conforme exigência para a cidade receber a verba federal. O fato tem sido denunciado pelos trabalhadores, Sindicato dos Médicos de São Paulo (Simesp), e também por parlamentares do PSOL, como a vereadora Luana Alves.


Embora a argumentação oficial aponte maior cobertura de atendimento, o sindicato alerta que dois médicos de 20 h são substituídos por um de 40 h, reduzindo o número de profissionais e rompendo vínculos essenciais com famílias e territórios acompanhados ao longo dos anos.


A mudança afeta principalmente UBSs administradas por organizações sociais (OS), muito presentes na Zona Oeste e em áreas de maior vulnerabilidade, onde muitos profissionais trabalham vinculados à USP ou atuam como preceptores. Cenário que acirra uma competição por regime de trabalho impostas às jornadas completas quase como condição de permanência.


Luana Alves denunciou publicamente que a Prefeitura não dialoga com os sindicatos nem com a população, e classificou o corte coletivo como um erro grave de gestão, que agride tanto o perfil dos profissionais quanto a qualidade do atendimento. Para ela, a medida não amplia o cuidado — apenas reduz o número de equipes.


Esses médicos de família são essenciais à Estratégia de Saúde da Família, comprometida com a atenção contínua à população. O vínculo com médicos especializados previne encaminhamentos desnecessários, reduz exames e promove acolhimento familiar. Romper essa rede por decisão burocrática fragiliza a política pública e enfraquece o SUS.


Há relatos de que parte dos médicos demitidos está sendo substituída por profissionais contratados como Pessoa Jurídica (PJ) — uma forma de precarização ainda mais acentuada da assistência. A medida também ameaça a rotatividade: médicos experientes deixam o PSF (Programa de Saúde da Família) para abrir espaço a contratações instáveis e pouco conectadas às comunidades atendidas.


O Simesp planeja uma assembleia dos profissionais no fim do mês, como estratégia de mobilização contra os desligamentos. Já Luana Alves fez ofício à Prefeitura e articulou requerimentos para instaurar debate público e exigir reversão das demissões.


A mudança evidencia uma política de gestão distante das necessidades sociais: mesmo com orçamento robusto, a arbitragem da jornada como “métrica de eficiência” põe em risco a continuidade da atenção básica na cidade. O modelo terceirizado, sem diálogo nem controle, mostra-se falho.

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